A luta enfrentada por professores contra a pressão de Trump pela reabertura de escolas

29 Julho 2020

Publicado originalmente em 28 de julho de 2020

Após anos de greves e protestos contra cortes de salários e do orçamento da educação, educadores nos EUA estão diante de um conflito direto com a administração Trump por causa de sua pressão pela reabertura de escolas enquanto a pandemia continua fora de controle. Em uma entrevista coletiva na sexta-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, considerou os professores como “pessoal essencial”, comparando-os a trabalhadores de frigoríficos, dizendo que “as escolas são lugares essenciais para os negócios”.

A comparação entre os trabalhadores de frigoríficos e os professores não é por acaso. Desde o início da pandemia, os frigoríficos se tornaram alguns dos locais de trabalho mais perigosos nos EUA e no mundo, com mais de 30.000 trabalhadores infectados e mais de 100 deles mortos por COVID-19. Enfrentando paralisações e protestos em 22 fábricas nos EUA em abril, Trump invocou a Lei de Produção de Defesa para forçar os trabalhadores a voltar ao trabalho.

A política criminosa da administração Trump de forçar os professores a voltar às salas de aula com a pandemia continuando a se espalhar sem controle levará à morte de inúmeros professores, estudantes e seus familiares.

Vinda de um governo determinado a destruir a educação pública através de cortes no orçamento e privatizações, a declaração da Casa Branca de que os professores são “essenciais” é absurda. Trump não se importa com os estudantes. Ele só se preocupa em tirar as crianças de casa para que seus pais possam ir trabalhar, produzindo lucros para as corporações.

Depois de ter dado trilhões de dólares em resgates do governo e liberado dinheiro do Federal Reserve às corporações, a classe dominante está determinada a extrair os lucros dos trabalhadores para pagar por essa operação.

Liderando o ressurgimento da luta de classes nos EUA desde a poderosa greve selvagem organizada por professores da Virgínia Ocidental em fevereiro de 2018, professores e educadores têm se movido cada vez mais para a esquerda e se radicalizado, com muitos participando das manifestações multirraciais de massas contra o assassinato policial de George Floyd.

Cara Bailey, professora de artes de Utah, protesta contra reabertura de escolas. (AP Photo/Rick Bowmer)

Grupos no Facebook que se opõem à reabertura de escolas se juntaram rapidamente a milhares de educadores e pais, enquanto caravanas e comícios denunciando os planos de reabertura de democratas e republicanos aconteceram em dezenas de cidades em todo o país. Na segunda-feira, educadores e pais de Nova Jersey iniciaram uma “semana de ação” contra a exigência do governador democrata Phil Murphy de que as escolas reabram com pelo menos ensino presencial parcial.

O uso das forças paramilitares pela administração Trump em Portland e outras cidades – agora dirigidas contra manifestantes em sua maioria pacíficos – é apenas um ensaio para o uso da intimidação e da violência do estado contra a classe trabalhadora como um todo. Isso inclui professores e seus apoiadores.

Para justificar sua exigência de abrir as escolas, a administração Trump está desvirtuando ativamente a ciência. Em recente entrevista, a Secretária de Educação Betsy DeVos declarou: “Cada vez mais estudos mostram que as crianças na verdade param a doença, não contraindo e não transmitindo o vírus”.

Na realidade, milhares de crianças ao redor do mundo foram infectadas e um número crescente está morrendo de COVID-19. Na Flórida, mais de 23.000 menores de idade testaram positivo, enquanto cinco deles morreram, incluindo Kimora Lynum, uma menina de 9 anos de idade sem nenhuma doença preexistente. No Tennessee, 7.572 crianças de 5-18 anos de idade testaram positivo para o vírus.

Em um estudo detalhado da Coréia do Sul, que envolveu o rastreamento de contato e a testagem de quase 60.000 pessoas que tiveram contato com 5.706 pacientes com COVID-19, os resultados “encontraram a maior taxa de COVID-19 para contatos domésticos de crianças em idade escolar”.

Se todas as escolas cumprirem as exigências de Trump, isso resultará na morte de centenas de milhares de educadores, alunos e pais, e uma propagação exponencial da pandemia.

Esforçando-se para justificar essa política homicida, a administração Trump e os políticos democratas derramaram lágrimas de crocodilo sobre o impacto do fechamento de escolas nas crianças. Quanta hipocrisia! Esses mesmos políticos têm levado adiante uma política de austeridade selvagem durante décadas, criando salas de aula superlotadas e escritórios com poucos funcionários.

Com os estados enfrentando uma perda total no orçamento da educação de pelo menos 300 bilhões de dólares este ano, os partidos Democrata e Republicano estão preparando o maior ataque à educação pública da história dos EUA. Um objetivo crucial da iniciativa de reabrir escolas é forçar os educadores mais velhos e mais experientes a se aposentarem com o objetivo de precarizar ainda mais a educação pública.

Desde 2018, mais de 700.000 educadores se engajaram em greves em mais de uma dúzia de estados controlados tanto por republicanos quanto por democratas, incluindo Arizona, Oklahoma, Colorado, Washington, Califórnia, Kentucky, Illinois e Carolina do Norte. Internacionalmente, protestos e greves de massas têm ocorrido em dezenas de países em todos os seis continentes habitáveis.

Esta poderosa onda de greves foi sistematicamente traída pela Federação de Professores dos EUA (AFT) e pela Associação Nacional de Educação (NEA). A presidente da AFT, Randi Weingarten, e a presidente da NEA, Lily Eskelsen García, se deslocaram pelo país para negociar contratos vendidos e isolar todas as lutas de educadores que surgiram. Esses sindicatos trabalharam para canalizar toda a oposição por trás do Partido Democrata, que de Obama para baixo liderou o ataque à educação pública.

Os sindicatos de professores estão agora bloqueando uma mobilização de massas de educadores para se oporem aos movimentos de Trump para reabrir escolas. Ao invés disso, eles estão pressionando pela aprovação da fraudulenta lei HEROES, que disponibiliza apenas 60 bilhões de dólares para as escolas, enquanto promovem a candidatura presidencial do democrata Joe Biden, que colaborou no assalto de oito anos ao ensino público durante a administração Obama.

Um enorme confronto está se desenvolvendo entre a classe trabalhadora, de um lado, e a administração Trump e os partidos Democrata e Republicano, do outro. Embora alguns democratas tenham adiado o ensino presencial, eles têm demonstrado repetidamente que não deixarão que a segurança se coloque na frente do lucro corporativo.

Para se prepararem para uma verdadeira luta, educadores, pais e estudantes devem estabelecer uma ampla rede de comitês de base de segurança, independente dos sindicatos e dos partidos Democrata e Republicano, em todas as escolas e bairros. Esses comitês também devem atrair educadores de creches, escolas particulares e escolas charter para se prepararem para uma greve nacional para evitar o retorno inseguro do ensino presencial.

Estes comitês devem estabelecer contatos com cada seção da classe trabalhadora para organizar um movimento de massas contra o sistema capitalista. A unificação da classe trabalhadora de todas as raças e etnias é a tarefa fundamental, além de ser necessário se opor a todos os esforços dos sindicatos, dos democratas e de seus aliados da pseudoesquerda para promover políticas racialistas. A pandemia expôs claramente que a questão-chave na sociedade é classe, e não raça, uma vez que a indiferença criminosa da classe dominante devasta os trabalhadores de todas as raças e etnias.

São necessários enormes recursos para garantir o acesso universal à educação de alta qualidade e fornecer acesso à internet para todos, além de oferecer alimentação essencial e serviços de saúde. A realização dessas políticas requer uma redistribuição radical da riqueza, que só será possível através da transformação socialista da sociedade.

Acima de tudo, os educadores enfrentam uma luta política contra a administração Trump e a oligarquia financeira pela qual fala. As próximas semanas e meses assistirão a um grande aumento das tensões sociais e a uma crescente resistência da classe trabalhadora às políticas capitalistas de austeridade e morte. O Partido Socialista pela Igualdade (SEP) está lutando para construir uma liderança revolucionária para que as próximas lutas sejam orientadas para um fim bem sucedido. Chamamos os educadores e todos os trabalhadores para se juntarem ao SEP e lutarem pelo socialismo.

Evan Blake